sábado, 2 de outubro de 2010

A desilusão de quem ensinou a sonhar

Me diz pra onde foram todos os planos.
Da criança que brinca e diz com tanta certeza o que vai ser um dia. Que insiste em dizer como é diferente, como sente que algo vai mudar. Me diz como o conhecimento a matou por dentro, o envolvimento, e hoje em dia ela foge de tudo que amou como se isso fosse a matar. Me explica por que ela mudou tão radicalmente, e tão derrepente, parece até que parou de pensar.
Eu só queria saber o por que, ja que eu tão pequena sempre me senti tão real ao te escutar. Te fiz minha esperança, que iria me acompanhar quando chegasse a minha vez de protestar.
Hoje te digo coisas que tu me dizias antes, mas tua cara com cinismo me espanta, e manda eu me calar. O que te calou?
O que te digo hoje é que eu não vou me calar, e te farei falar. Te devo isso, ja que tu me ensinou tudo o que sei falar. Te darei isto, meu pequeno grande implicante e risonho exemplo.

Um comentário:

  1. Oi amiga querida, hoje vou te deixar apenas o poema de um poeta que gosto muito: o chileno Pablo Neruda

    O Poço

    Cais, às vezes, afundas
    em teu fosso de silêncio,
    em teu abismo de orgulhosa cólera,
    e mal consegues
    voltar, trazendo restos
    do que achaste
    pelas profunduras da tua existência.

    Meu amor, o que encontras
    em teu poço fechado?
    Algas, pântanos, rochas?
    O que vês, de olhos cegos,
    rancorosa e ferida?

    Não acharás, amor,
    no poço em que cais
    o que na altura guardo para ti:
    um ramo de jasmins todo orvalhado,
    um beijo mais profundo que esse abismo.

    Não me temas, não caias
    de novo em teu rancor.
    Sacode a minha palavra que te veio ferir
    e deixa que ela voe pela janela aberta.
    Ela voltará a ferir-me
    sem que tu a dirijas,
    porque foi carregada com um instante duro
    e esse instante será desarmado em meu peito.

    Radiosa me sorri
    se minha boca fere.
    Não sou um pastor doce
    como em contos de fadas,
    mas um lenhador que comparte contigo
    terras, vento e espinhos das montanhas.

    Dá-me amor, me sorri
    e me ajuda a ser bom.
    Não te firas em mim, seria inútil,
    não me firas a mim porque te feres.

    Pablo Neruda

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